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06/07/2017

Indústria brasileira teve o melhor mês de maio em seis anos

A indústria brasileira teve o melhor resultado para maio desde 2012. A produção da indústria brasileira cresceu (0,8%) em relação a abril e (4%) na comparação com maio de 2016. “Mas isso está longe de representar uma trajetória consistente para esse setor industrial. Mas é claro que é um ganho de ritmo, algo que a gente já não via observando para indústria como um todo, que foi um perfil de crescimento mais espalhado”, disse André Macedo, gerente de Indústria do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Dos 24 setores pesquisados, 17 tiveram resultados positivos como alimentos, produtos de higiene pessoal, bens de consumo duráveis e de capital. A produção de automóveis foi uma das maiores responsáveis por essa guinada no ritmo da indústria.
Os números apontam que houve aumento nas vendas, mas, principalmente, graças às exportações que deram um salto de mais de (60%) de janeiro a maio.

“Três países foram importantes para o aumento das nossas exportações; Argentina, Chile e México. Nesses países, seus mercados cresceram”, explicou Rogelio Golfarb, vice-presidente de Assuntos Corporativos da Ford América do Sul.

No semestre, as vendas de veículos novos no Brasil subiram o que não acontecia desde 2013, mas ainda é insuficiente para recuperar a queda de 2016. Segundo o IBGE, a principal influência positiva foi no setor de veículos automotores, reboques e carrocerias, que avançou (9,0%), influenciado, em grande parte, pela maior fabricação de automóveis e caminhões.

A produção de bens duráveis foi a que mais contribuiu para a alta anual, com avanço de (20,7%) frente a maio de 2016. Os bens de capital cresceram (7,66%) e bens de consumo, (5,0%). Outras contribuições positivas importantes sobre o total da indústria vieram de produtos alimentícios (2,7%) e de perfumaria, limpeza e higiene pessoal (4,0%).


Setores de calçados e confecção também tiveram aumento

Também contribuíram para o resultado os segmentos de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (14,2%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (11,1%), produtos têxteis (9,5%), manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (13,2%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (alta de 25,9%), de máquinas e equipamentos (8,9%), de indústrias extrativas (2,8%) e metalurgia (6,1%).

“A nossa economia está deixando de caminhar para trás. Muito provavelmente a gente começa, daqui para frente, pensando em um cenário positivo, em que o ambiente político não contamine tanto o ambiente econômico, a gente começa a andar para frente em uma velocidade e em uma consistência maior. Mas nós dependemos, no entanto, desse ambiente político que ainda traz muita incerteza para a economia. Nós ainda não temos certeza de quando isso vai acontecer", comenta o gerente do IBGE.

De acordo com Macedo, em maio, (59%) dos 805 produtos pesquisados pelo IBGE tiveram taxas positivas no índice mensal da indústria. “Este é o melhor resultado positivo desde abril de 2013 quando tinha (66,7%) dos produtos com taxas positivas”, destacou o pesquisador.

No acumulado do ano, o segmento de carnes de bovinos foi um dos principais impactos negativos, com queda acumulada de (4,6%) no ano. Segundo Macedo, este resultado tem relação direta com a operação carne fraca, que foi deflagrada em março, mas cujos efeitos ainda se refletiam no setor em maio, com o fechamento de frigoríficos.

Macedo avaliou que o cenário de crise política e econômica ainda pode influenciar negativamente a produção industrial no país. “Toda incerteza, seja no campo político ou econômico, traz reflexo para dentro das decisões de consumo e de investimento. Claro que isso pode trazer algum tipo de comportamento negativo para o ritmo de produção”, disse. O pesquisador ponderou, no entanto, que é preciso aguardar os próximos resultados “para saber como estas incertezas influenciaram nas decisões de investimento por parte das empresas e de consumo por parte das famílias”.

Fonte: Divulgação IBGE