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12/07/2019

Acordo Mercosul - União Europeia: uma fronteira gigantesca se abre para o calçado brasileiro; Couromoda turbina negócios setoriais dos dois blocos

Por seu histórico, perfil e localização, a Couromoda é a plataforma natural
para turbinar os negócios do setor entre os dois blocos econômicos

Dos 10 principais destinos do calçado brasileiro no exterior, dois estão localizados na Europa. França e Reino Unido ocupam, respectivamente, a terceira e a décima colocação no ranking geral dos embarques brasileiros, gerando receita superior a US$ 40 milhões. Embora significativa, a exportação para a Europa é pequena, levando-se em conta o potencial existente. E é justamente a relação com o mercado do Velho Continente que pode ganhar novo ânimo após a efetivação do o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, anunciado no dia 28 de junho.

Em negociação há 20 anos, o pacto engloba países que somam uma população de 750 milhões de pessoas e um PIB de US$ 19 trilhões, sendo aproximadamente 14 trilhões na Europa. “Acompanhamos de perto as negociações deste acordo, processo iniciado há 20 anos. A Couromoda sempre se fez presente e trabalhou para a inserção das marcas brasileiras na Europa, mantendo uma intensa relação com os seus principais players. Este acordo vai impulsionar os negócios e a Couromoda está preparada para ser a ferramenta e o ponto de encontro entre a indústria e o varejo dos dois continentes”, avalia o fundador e presidente da Couromoda, Francisco Santos.

Com a tradição de presença constante no mercado do Velho Continente desde o final dos anos 1970, a Couromoda segue sendo a plataforma ideal para negócios entre os mercados sul-americano e europeu. "O acordo é um grande avanço e uma oportunidade ótima para o calçado brasileiro", detalha Santos.

Realizada no principal centro economico do Brasil e da América Latina, Couromoda se apresenta com o palco mais promissor para o encontro destes players, com os calçadistas brasileiros oferecendo artigos a preços ainda mais competitivos para os buyers europeus. O convite a grandes compradores e lojas de departamento será incrementado no segundo semestre, por intermédio de diversas ações e presença em grandes eventos na Europa.

Como a Couromoda é a feira nacional de calçados que recebe o maior número de compradores latino-americanos do setor, uma missão de conhecimento e pesquisa de grandes marcas da Europa – de Itália, Portugal, França e Espanha –, está sendo organizada para visitar a edição de Couromoda 2020., em janeiro
Conforme Santos, este é o primeiro passo para a participação futura de expositores europeus na mostra brasileira a partir de 2021. "São produtores de uma faixa de preço médio\alto, que podem proporcionar uma complementaridade de oferta para lojistas brasileiros e para os buyers internacionais", conclui.

Indústria nacional animada com o acordo
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), assim que o acordo entrar em vigor, os produtos brasileiros terão acesso preferencial a 25% do comércio do mundo com isenção ou redução do imposto de importação. Atualmente, eles só entram nessas condições em 8% dos mercados internacionais.

Conforme o que se sabe do acordo, para os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) está previsto um período de mais de uma década de redução de tarifas para produtos mais sensíveis à competitividade da indústria europeia. No caso europeu, a maior parte do imposto de importação será zerada tão logo o tratado entre em vigor. O acordo cobre 90% do comércio entre os blocos.

Exportação brasileira para a Europa
No primeiro semestre deste ano, os franceses compraram do Brasil 3,47 milhões de pares, gerando receita de US$ 26,16 milhões, números que representam, respectivamente, queda de 13,6% e 1,1% em termos de volume e valores, no comparativo com igual período do ano passado. Na décima colocação entre as nações que mais compram calçados verde-amarelos está o Reino Unido, que adquiriu - de janeiro a junho deste ano - 754 mil pares, ao custo de US$ 12,18 milhões, incrementos de 4,6% (volume) e 32,5% (receita) sobre o mesmo período de 2018.

O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, destaca que, em princípio, o acordo é positivo para o setor, porém é preciso ter mais detalhes acerca dos mecanismos de comprovação de origem do produto importado da União Europeia. "Temos um pleito junto ao governo de que, para que o calçado seja considerado efetivamente europeu, ele tenha um mínimo de 60% dos seus componentes produzidos localmente. O receio do setor calçadista é de que algum país europeu possa ser utilizado como plataforma de exportação por fabricantes de outros países, especialmente asiáticos, para embarcar seus produtos com benefício da alíquota reduzida ou mesmo zerada", comenta o executivo. Hoje a alíquota de importação de calçados praticada é de 35%.

Ainda segundo Klein, por outro lado, as exportações de calçados brasileiros para a Europa deverão ser beneficiadas, pois o acordo prevê uma redução da tarifa média de importação desse produto oriundo do Mercosul de 17% para zero. No ano passado, os calçadistas brasileiros exportaram 17,7 milhões de pares para países do bloco, 14% menos do que em 2017. Já as importações de calçados europeus, no ano passado, somaram 332,8 mil pares, 3,6% menos do que em 2017.

Varejo de calçados também enaltece acordo entre blocos econômicos
O acordo entre Mercosul e União Europeiadeverá ser benéfico também para as atividades do varejo brasileiro de calçados quando estiver em vigor, após a aprovação dos países participantes dos dois blocos econômicos. A Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), que reúne médias e grandes redes calçadistas brasileiras, avalia que o setor deverá ter acesso facilitado especialmente a produtos premium, tanto masculinos quanto femininos, fabricados em países como Itália e Portugal, que lideram o segmento em nível mundial, mas ainda têm presença tímida no mercado varejista nacional.

“Nossa expectativa é de que calçados de moda de grandes marcas europeias possam ser adquiridos e disponibilizados aos consumidores brasileiros, que hoje só podem comprá-los no exterior”, explica o presidente da entidade. Marcone Tavares enfatiza que as lojas projetam, com isso, um acréscimo no mix de produtos, atrair clientes de maior poder aquisitivo e também aumento de receita, sem, contudo, reduzir os negócios com os fornecedores locais.

Outro benefício do acordo é destacado pelo diretor-executivo da Ablac. Wesley Barbosa explica que, conforme já anunciado pela Abicalçados, as exportações de calçados à Europa devem crescer nos próximos anos, assim como as vendas de outros produtos brasileiros, o que movimentará diversos setores da economia do país. “Quando a indústria produz e vende mais, emprega mais e gera mais renda aos trabalhadores, que, por sua vez, consomem mais, um círculo econômico virtuoso. Por isso, sem dúvida, o acordo do Mercosul com a União Europeia é uma excelente notícia para o varejo de calçados, que poderá retomar o ritmo normal dos negócios após pelo menos três anos de dificuldades”, finaliza.

Europeus de olho no mercado brasileiro
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker, declarou o acordo comercial como o mais substancial já concluído pela União Européia. A Confederação Europeia do Calçado (CEC), que acompanhou e contribuiu regularmente para as negociações, está satisfeita com as oportunidades comerciais que este acordo proporcionará às empresas de calçado da UE. Em nota oficial, a entidade, hoje presidida pelo português Luis Onofre, afirma que está "muito satisfeita por ter alcançado o melhor resultado possível para o calçado europeu e agradece aos negociadores da Comissão Europeia pelo seu apoio continuado. Um acordo justo e abrangente favorecerá a integração econômica de ambas as regiões e criará muitas oportunidades para as empresas da UE, proporcionando-lhes um acesso mais favorável a um mercado de exportação promissor."

O calçado europeu é um dos produtos que têm atualmente os maiores direitos aduaneiros (chegando a 35%) ao entrar nos países do Mercosul. A liberalização total da tarifa, que se aproxima, proporcionará livre acesso a um mercado atualmente composto por 260 milhões de consumidores.

O acordo faz parte de uma estratégia comercial da UE que começou em 2014 e resultou na assinatura de 15 acordos comerciais, incluindo o Canadá e o Japão. A CEC compartilha a visão da Comissão Européia de que o acordo é um forte compromisso com o comércio internacional baseado em regras e que será uma excelente oportunidade de comércio para ambos os lados, respeitando o meio ambiente, preservando os interesses dos consumidores e setores econômicos sensíveis. O acordo terá agora de ser aprovado pelo Conselho Europeu e pelo Parlamento Europeu antes de entrar em vigor.

Em termos de comércio de bens, a UE é o segundo maior parceiro do Mercosul, com as exportações da UE para esta região totalizando 45 bilhões de euros em 2018. O acordo deve eliminar 91% das tarifas existentes sobre produtos da UE exportados para o mercado do Mercosul.

Associação da indústria calçadista italiana fala em nova oportunidade
Com crescimento constante das exportações italianas de calçados, o Mercosul pode se tornar uma saída de interesse crescente para empresas italianas. “É um acordo importante para o setor de calçados do nosso país, que foi alcançado no dia 28 de junho, que põe fim a 20 anos de negociações”, explica a nota oficial da Associação Nacional das Indústrias de Calçados da Itália (ANCI).
A eliminação de direitos alfandegários sobre calçados, embora planejada no espaço de ano, será realmente capaz de trazer grandes benefícios para as empresas italianas de calçados. Um mercado que cresceu nos últimos 10 anos (2008-2018) 58% em relação à quantidade exportada e 85% em relação ao valor, embora ainda sejam muito amplas as margens de crescimento.

Os elevados direitos de importação aplicados por estes países durante vários anos a 35% dos tipos de calçado impediram o acesso das nossas empresas ao mercado, apesar do forte apelo do Made in Italy nos países da América do Sul. "O acordo comercial com o Mercosul é um resultado extremamente positivo para o setor italiano de calçados, que havia feito uma prioridade em Bruxelas durante anos”, diz o novo presidente da Assocalzaturifici, Siro Badon.

"Eu quero agradecer aos que, nos últimos anos, nos representaram nesta longa e difícil negociação. Em especial, à Confederação Europeia do Calçado, no âmbito dapresidência de Cleto Sagripanti e dos presidentes anteriores de Assocalzaturifici, VitoArtioli, o mesmo Cleto Sagripanti e AnnaritaPilotti, que estiveram nesses anos fortemente empenhados em atingir este objetivo, como mostra a abertura uma mesa em Bruxelas para acompanhar mais de perto o andamento das negociações e, por último, não menos importante, à Confindustria Moda, por ter guardado os interesses de muitos sujeitos industriais interessados”, afirmaBadon.

Os termos do acordo ainda não são conhecidos, mas a esperança dos fabricantes italianos de calçados é que, juntamente com os acordos sobre tarifas alfandegárias, a hipoteca também inclua o reconhecimento das normas regulamentares e que a ratificação do acordo ocorra em tempo curto.

“É um momento histórico”, diz o presidente
da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker
“Em uma fase de tensões comerciais internacionais, junto de nossos parceiros do Mercosul, mandamos um forte sinal de que defendemos o comércio baseado em regras.Uma referência às políticas do presidente dos EUA, Donald Trump, que, no G20 em Osaka, também reafirmou a linha protecionista da Casa Branca. Boas notícias para empresas, trabalhadores e a economia de ambos os blocos”, acrescentao presidenteda Comissão Europeia, Jean-ClaudeJuncker.

O acordo, segundo Bruxelas, vai remover a maior parte dos impostos sobre as exportações da UE para a região e permitirá às empresas economizar mais de 4 bilhões de euros por ano, segundo a Comissão Europeia. Uma vez em vigor, informou a comissária de Comércio Cecilia Malmström, “o acordo estabelece padrões elevados de ambiente e de direitos dos trabalhadores, bem como reafirma os compromissos de desenvolvimento sustentável que já assumimos com o Acordo de Paris”.

Mercosul agora negocia acordo de parceira com o Japão
O Mercosul começou a negociar um acordo de comércio com o Japão, terceira maior economia do mundo, com o objetivo de aumentar o fluxo de produtos entre a região e o país. Segundo fontes diplomáticas envolvidas diretamente na negociação, o Japão manifestou interesse diante do fechamento do acordo de livre-comércio do Mercosul com a União Europeia. “O Japão não quer ficar de fora, por causa das montadoras. Se não houver acordo com o Mercosul, as montadoras japonesas, por exemplo, vão perder muito mercado para as europeias”, explicou um diplomata.

Com uma população de 126 milhões de pessoas, o Japão já tem vários acordos comerciais, entre eles com a União Europeia. É também um dos membros da Parceria Transpacífica, área de livre-comércio que conta com Austrália, México, Canadá, Peru, Chile e outros países.

É por meio da parceria, por exemplo, que o Peru importa carne da Austrália, um grande concorrente brasileiro no comércio mundial de carnes. O Brasil era o principal destino de investimento japonês na América Latina, poucos anos atrás, mas o México assumiu esse lugar.

No Itamaraty, a expectativa é que seja possível fechar o acordo em até dois anos, caso haja foco nas negociações. “O japonês demora muito para decidir, mas, depois que decide, é rápido para fechar toda a burocracia”, explica um diplomata.