Home > Notícias
30/10/2020

CEO da 4all, José Renato Hopf afirma que transformação digital começa pela cultura da empresa

“A melhor forma de se adaptar ao mundo digital é quando a cultura é digital”. A afirmação é de José Renato Hopf, CEO da empresa de soluções digitais 4All e palestrante do Prato Principal On-line da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha desta quinta-feira, dia 29. O evento foi comandado pelo presidente Marcelo Lauxen Kehl e teve como tema a Era dos Ecossistemas Digitais, o patrocínio de Sicredi Pioneira RS e apoio master de Universidade Feevale.

Segundo Hopf, quem quer ser digital deve começar ajustando a cultura da empresa, que, para ser ágil, como exige a nova realidade dos negócios, precisa ter métodos, metas e atividade criativa, mas também respeito às pessoas, à sociedade, aos clientes e ao meio ambiente.

Fundador da GetNet (empresa de tecnologia vendida ao Banco Santander em 2015) e atual CEO de um hub de inovação que reúne nove empresas com atuação na área de transformação digital e responsáveis por projetos digitais de grandes grupos empresariais brasileiros, Hopf enfatiza que o mundo vive uma revolução digital, mas isso não é um problema. É, na verdade, um processo que oferece possibilidades até mesmo para os pequenos negócios que souberem utilizar seu capital humano e as tecnologias disponíveis, com custos inferiores aos que eram praticados há alguns anos, para realizar a sua transformação.

O que está por trás dessas mudanças, revela Hopf, é a rápida digitalização das pessoas, acelerada pela pandemia, que não mais retomarão hábitos de consumo anteriores. Por isso, segundo ele, o que se verá nos próximos meses, na economia brasileira, passado o pânico, não é uma retomada em V ou W, como muitos supõem, mas uma ‘curva Nike’, em alusão à logomarca da marca mundial de artigos de esportivos, isto é, um processo ascendente de transformação digital das empresas, de todos os portes e todos segmentos.

“A adoção de tecnologias a que fomos forçados cria um novo normal, e não voltaremos atrás”, enfatiza Hopf, para quem as novas experiências, de consumo e convivência, trazem implicações diretas tanto para o varejo quanto para a indústria. No varejo, a presença nos meios físico e digital é essencial para atender aos novos hábitos dos consumidores, criar uma conexão com eles e não perder relevância, o que requer tecnologia, equipe de atendimento qualificada, cadastro atualizado e estratégias. Os shoppings, por exemplo, ampliam as áreas de lazer e alimentação e reduzem as destinadas às lojas para atender à nova realidade.

Para a indústria, as transformações recentes expressam-se, por exemplo, na adoção do Direct to Consumer (D2C), processo que visa, além de vender diretamente, conhecer quem consome os seus produtos, entender os seus novos hábitos e adaptar ou desenvolver novos itens com frequência cada vez maior. “Tudo muda muito rapidamente. Por isso, cada vez mais, será preciso oferecer o produto certo, na hora certa, para o cliente certo, no formato”, explica.

Marketplaces e ecossistemas
A transformação digital também dá origem a novas formas de vendas para as empresas fabricantes de produtos, como os marketplaces, que complementam as operações dos e-commerces, surgidos na década anterior. Baseados na lógica das plataformas, eles oferecem novas facilidades para pequenos estabelecimentos realizarem negócios em âmbito global através da hiperconectividade logística.

Os ecossistemas, por sua vez, são movimentos de transformação digital de todos os aspectos importantes para o negócio e que também se valem da eficiência logística para ampliar as operações e ganhar relevância. Exemplo é o setor de food service, que se digitalizou rapidamente durante a pandemia para atender à alta da demanda dos consumidores brasileiros. Cerca de 250 mil bares e restaurantes, em todo o Brasil, aderiram aos pedidos on-live, seja delivery ou take away, criando ecossistemas digitais que continuarão operando após a pandemia.

LGPD e PIX
Dois fatores recentes, conforme José Renato Hopf, vão impactar as atividades das empresas em geral e acelerar a sua transformação digital. O primeiro é a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que veio regular algo que – segundo ele - não estava indo bem, isto é, o uso de dados de pessoas, muitas vezes vendidos ilegalmente. Com entrada em vigor da nova lei, as empresas são obrigadas a utilizar tecnologias e capacitar parceiros e colaboradores para evitar o vazamento de dados de clientes e serem responsabilizadas administrativa e judicialmente. “Ao contrário do que posa parecer, a LGPD não é contra as empresas, que precisam proteger e usar corretamente os dados para oferecer produtos aos consumidores”, explica.

Outro fator é o novo sistema de pagamentos brasileiros que entra em vigor em novembro, o Pix. Trata-se de uma modalidade de transferência instantânea de recursos entre contas digitas que beneficia pessoas físicas e empresas, especialmente o comércio. “É um exemplo de transformação digital que reduz custos e agiliza as transferências de recursos, que são instantâneas”, esclarece.

A redução de custos decorre da substituição de boletos, operações com cartão de crédito e dinheiro, que são demorados e têm custo alto, para transferências entre contas digitais através de carteiras digitais, empresas que passam a concorrer com bancos tradicionais no mercado. “Para os lojistas e todas as empresas de varejo, é fundamental estarem preparados para aproveitar as facilidades deste novo sistema de pagamentos, que operará 24 horas por dia, sete dias da semana", finaliza.