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11/10/2019

Conexão e propósito são essenciais para empreendimentos conquistarem sucesso, afirmam especialistas em evento da Couromoda e Sebrae

A consultora Tatiane Alves abriu o Seminário Reinvente-se, promovido pela Couromoda e pelo Sebrae, dentro da programação da Semana do Calçado 2019, na última quarta-feira, 9, em Novo Hamburgo/RS. “Novas experiências do consumidor” foi o tema da palestra, em que Tatiane falou sobre as transformações no mercado de consumo e, principalmente, as novas motivações de compra. E sugeriu que tanto a indústria quanto o varejo mudem a forma de vender seus produtos.

“O consumidor está cada vez mais conectado com a ideia da experiência. Consumir não é apenas adquirir produtos ou serviços. As pessoas estão em busca de momentos que lhes deixem boas lembranças e que lhes ofereçam sensações agradáveis”, afirmou a consultora. E como as marcas podem interagir neste ambiente? “Buscando formas de se conectar com os consumidores, a partir de um cheiro que seja só seu ou de um benefício que possa ser oferecido além da aquisição em si”, disse.

Neste processo de mudança de comportamento, as pessoas valorizam aspectos como a origem dos produtos e a postura da marca e da indústria em relação ao meio ambiente, por exemplo. “É preciso que as marcas estejam atentas a estes movimentos e busquem, na sua comunicação,formas transparentes de mostrar suas práticas”, afirmou a palestrante.

Tatiane Alves chamou a atenção para a necessidade de pontos de contato com os consumidores, que podem ser espaços físicos ou digitais, mas que devem ser cuidados com muita atenção para manter a conexão. As redes sociais são o principal destes pontos de contato e, além de informações e fotos sobre os produtos, por exemplo, devem cada vez mais exibir vídeos, que são valorizados pelos clientes. Os vídeos podem mostrar o diretor falando sobre a empresa ou a área de desenvolvimento, por exemplo, que despertam interesse e reforçam a conexão com o público.

Tudo isto sem perder de vista o sentimento de urgência que domina os consumidores. Independentemente de criatividade nos relacionamentos, as marcas devem estar preocupadas com a agilidade. Todos querem tudo imediatamente. Então, é preciso ter uma política de entrega muito ágil.

“Marca que não tem propósito que faça sentido para o país e a humanidade não prospera”
Outro palestrante do evento foi o ex-presidente de Calçados Bibi, Marlin Kohlrausch. Há seis meses, ele transmitiu o cargo para a filha Andrea, após 34 anos, e desde então dedica parte de seu tempo à preparação de seu quinto livro, que será lançado em breve, e a palestras em empresas e entidades.

No evento, a profissionais da indústria coureiro-calçadista do Vale do Sinos, ele destacou os fatores que fizeram a empresa, que começou pequena, com apenas oito funcionários, em 1949, tornar-se líder no segmento de calçados infantis no país e chegar à condição de marca global.E fez um alerta, baseado na experiência à frente da empresa, que completa 70 anos em 2019, e nos estudos que fez ao longo dos últimos anos, em especial na Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte/MG. “Marca que não tem propósito que faça sentido para o país e a humanidade não prospera”, afirmou.
A própria empresa é exemplo. Em 1985, enfrentava dificuldades e precisou mudar para seguir em frente. Foi então que, sob a liderança de Marlin, que recém-assumira a presidência, uma nova cultura de gestão foi introduzida, mudando valores, conceitos, produtos e forma de atuação no mercado.

A mudança mostrou-se acertada. Hoje, aos 70 anos anos, a Bibi produz 2 milhões de pares ao ano e atua em 70 países. No Brasil, sua linha de produtos está presente em mais de 3,5 mil pontos de venda multimarcas, além do e-commerce e de uma rede de franquias com 120 lojas (algumas delas estão localizadas também na Europa, no Peru, no Equador e na Bolívia).

Para chegar a esta posição, a empresa, conforme Marlin, investiu (e ainda investe) em pesquisa, tecnologia, inovação, recursos humanos e relacionamento com clientes e consumidores. Todas as atividades têm como propósito colaborar para o desenvolvimento saudável da criança e ajudá-la a ser feliz, que fica evidenciado em todos os canais, materiais de divulgação e pontos de vendas da marca.

“Mais do que a marca, o consumidor compra os benefícios que ela oferece, que precisam ser demonstrados claramente de diversas formas. Sapato não fala, então temos que fazer uso da criatividade para transmitir os diferenciais que desenvolvemos, como a palmilha fisioflex, que proporciona sensação de caminhar descalço”, explicouMarlin. Conforme ele, a marca também precisa passar confiança ao consumidor, que está relacionada a fatores como qualidade, durabilidade, design, valores e outros.

Cultura do engajamento
Outra razão pela qual a marca chegou aos 70 anos é a sua cultura de engajamento, uma série de iniciativas que valorizam todos os integrantes da equipe. O projeto de endomarketing contempla dezenas de ações, com destaque às denominadas de Bom dia, Empresa, Universidade Bibi, Banco de Talentos e Código de conduta, que ajudam a atrair, desenvolver e reter talentos.

A Bibi também trabalha fortemente a inovação. Para isso, mantém há alguns anos o chamado Ninho de Inovação Bibi, área coberta, fora do ambiente fabril, em que funcionários, fornecedores e clientes reúnem-se para inovar as diferentes áreas e ‘pensar fora da casinha’.Um das muitas criações é a VendingMachine, máquina que, literalmente, vende produtos da marca. Nela, o consumidor escolhe o produto, paga com cartão de crédito e o recebe-o na hora. Outra é o 2Way, modelo de calçado do tipo 2 em 1. Trata-se de uma sandália com sola de Eva com borracha e velcro que a criança tira ao entrar em casa e permanece com a meia que acompanha o produto, vendido a 169,00 nas lojas e sucesso em todo o Brasil.

Confiança no Brasil
Em sua palestra, além de falar das estratégias que fizeram a Bibi crescer, Marlin também manifestou confiança em relação ao futuro do Brasil. Defensor convicto do presidente Jair Bolsonaro e sua equipe, o empresário citou dois fatos que, segundo ele, sinalizam que a economia está prestes a iniciar um novo ciclo: os 105 mil pontos atingidos há algumas semanas pela B3 (ex-Bovespa) e as projeções de queda da taxa Selic, que deve fechar o ano em 5%. “O Brasil vive um momento de ruptura da velha prática do toma-lá-dá-cá e, em breve, o crescimento voltará, com benefícios a todos”, afirmou.