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14/04/2021

Exportação em alta e ampliação dos empregos mostram a reação do setor calçadista brasileiro

O setor calçadista brasileiro tem dado mostras de estar em franca recuperação. Dados mais recentes elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), apontam para o incremento das exportações e também para a ampliação das vagas de trabalho no segmento. No mês de março, por exemplo, foram embarcados 12,3 milhões de pares, que geraram US$ 70,84 milhões, alta de 38,5% em volume e queda de 4,5% em receita no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Já no comparativo com fevereiro, as altas aconteceram tanto em volume (+23,3%) quanto em dólares (+15%).

No trimestre, as exportações somaram 32 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 193,36 milhões, incremento de 0,1% em volume e queda de 19,6% em receita no comparativo com igual ínterim do ano passado. As discrepâncias entre percentuais de volume e receita se dão pela valorização do dólar ante a moeda brasileira, que oportuniza a formação de preços mais atrativos no mercado internacional, diminuindo o preço médio do calçado exportado.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, ressalta que o dado sinaliza uma “normalização” no mercado internacional, que acontece na medida do avanço da vacinação em massa, principalmente nos Estados Unidos. “A expectativa, diante de uma base muito ruim do ano passado, é de que neste ano alcancemos um crescimento de cerca de 13% nas exportações, em volume”, projeta o dirigente, ressaltando que, no entanto, os registros ainda devem ficar aquém dos níveis pré-crise, em 2019.

Destinos
No primeiro trimestre do ano, o principal destino do calçado brasileiro no exterior foi os Estados Unidos, para onde foram embarcados 3,25 milhões de pares por US$ 40,28 milhões, alta de 14,8% em volume e queda de 15% em receita no comparativo com o mesmo período do ano passado.

O segundo destino do calçado verde-amarelo no período foi a Argentina. Nos três meses, os argentinos somaram a importação de 2,2 milhões de pares brasileiros, pelos quais foram pagos US$ 20,33 milhões, quedas tanto em volume (-7,5%) quanto em receita (-20,7%) ante período correspondente de 2020.

O terceiro destino do trimestre foi a França, para onde foram enviados 2,23 milhões de pares, que geraram US$ 14,5 milhões, incremento de 1,4% em volume e queda de 3,5% em receita no comparativo com o primeiro trimestre do ano passado.

Origens
A principal origem do calçado exportado foi o Rio Grande do Sul. No primeiro trimestre, os calçadistas gaúchos embarcaram 7,18 milhões de pares, pelos quais receberam US$ 81,78 milhões, quedas tanto em volume (-4,2%) quanto em receita (-20,9%) ante igual período do ano passado.

O segundo exportador do trimestre foi o Ceará, de onde partiram 11,68 milhões de pares por US$ 55,67 milhões, quedas de 5,5% e 19,8%, respectivamente, ante intervalo correspondente de 2020.

Com quedas de 1,7% em volume e de 14,9% em receita, São Paulo foi o terceiro exportador de calçados do trimestre, com o embarque de 1,95 milhão de pares por US$ 20,13 milhões.


Importações crescem mais de 50% em março
Com a sinalização de retomada gradual da demanda interna brasileira por calçados, as importações também avançaram em março. No mês passado, entraram no Brasil 2,78 milhão de pares, pelos quais foram pagos US$ 32,43 milhões, altas de 40,3% em volume e de 53,5% em receita no comparativo com os resultados de fevereiro. Já no comparativo com março do ano passado, os números apontam quedas de 25% em volume e de 6% em valores. No acumulado do primeiro trimestre, as importações de calçados somaram 6,76 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 75,38 milhões, quedas tanto em volume (-24,9%) quanto em receita (-27,5%) ante o mesmo período do ano passado.

No trimestre, as principais origens dos calçados importados seguem sendo os países asiáticos. No período, Vietnã (2,23 milhões de pares e US$ 42,67 milhões, quedas de 37,3% e 29,1%, respectivamente, ante 2020); China (3,39 milhões de pares e US$ 10,83 milhões, quedas de 9% e 20,9%, respectivamente); e Indonésia (640,58 mil pares e US$ 10,57 milhões, quedas de 35,3% e 33,8%, respectivamente) foram as principais origens das importações.

Em partes de calçados – cabedais, solas, saltos, palmilhas etc -, as importações do trimestre somaram US$ 5,92 milhões, queda de 23% ante igual período do ano passado. As principais origens foram Paraguai, China e Vietnã.

Confira as tabelas detalhadas AQUI.

Setor calçadista gerou mais de 18 mil postos no bimestre

Dados elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam que, no primeiro bimestre de 2021, as fábricas calçadistas geraram 18,6 mil postos de trabalho. Com o resultado, a atividade encerrou os dois primeiros meses do ano empregando 265,9 mil pessoas, 6,4% menos do que no mesmo período de 2020.

Haroldo Ferreira, destaca que, somente em fevereiro, foram gerados 8 mil empregos com carteira assinada no setor. “É um dado importante, que sinaliza a recuperação experimentada nos últimos meses do ano passado. Muito provavelmente trata-se de um reflexo de reposição dos estoques no varejo”, explica o dirigente. Por outro lado, o executivo é mais comedido quanto à continuidade dos bons números a partir de março. “A partir de março já devemos começar a sentir, nos registros, os problemas gerados pelo segundo surto de Covid-19 e o consequente abre e fecha do varejo físico, que responde por mais de 85% das vendas totais da indústria calçadista brasileira”, projeta.

RS: maior empregador
O Rio Grande do Sul segue sendo o principal empregador do setor calçadista no Brasil, respondendo por 30,8% do total de postos gerados na atividade. No bimestre, a indústria calçadista gaúcha gerou 6,26 mil postos de trabalho, fechando em 81,9 mil postos diretos gerados, 11,4% menos do que no mesmo período de 2020.

O segundo empregador do setor no Brasil é o Ceará. No bimestre, as indústrias calçadistas cearenses geraram 1,1 mil postos, somando 59,9 mil empregados na atividade, 5,1% mais do que no mesmo período de 2020.

O terceiro empregador do início foi a Bahia, que ultrapassou São Paulo no ranking de geração de postos na atividade. No bimestre, as indústrias baianas geraram 3,28 mil postos, encerrando os dois meses empregando 30,38 mil pessoas na atividade, 2,2% mais do que no mesmo período do ano passado.

São Paulo, que tem sido um dos estados mais afetados pela pandemia do novo coronavírus e o abre e fecha do varejo físico, terminou o bimestre com saldo positivo de 4,1 mil postos gerados, encerrando o período com um total de 29,63 mil empregos na atividade, 16,3% menos do que no mesmo ínterim de 2020.