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11/10/2018

Icônica grife italiana Versace é vendida para a americana Michael Kors Holdings

A venda da grife italiana Versace para a americana Michael Kors Holdings está feita. O valor da operação foi 1,83 bilhão de euros. A aquisição não traz mudanças para a liderança da marca, que permanece nas mãos do CEO John Akeroyd, enquanto a família Versace permanecerá com um valor de 150 milhões de euros.

O que muda, inevitavelmente (como aconteceu com Coach, agora Tapestry) é o nome da holding Michael Kors, que se torna Capri Holdings, titular (além da Versace) de Jimmy Choo e da marca original Michael Kors. “A notícia representa um verdadeiro choque para os seguidores, admiradores e clientes da icônica marca italiana por seus fortes valores familiares e de independência”, declarou o analista da Euromonitor International, Florence Allday.

Muitas mídias apontam que se trata da enésima marca italiana a acabar em mãos estrangeiras, mas vários analistas não compartilham dessa suposição. Dentre estes se inclui Guido Corbetta, um especialista em estratégias de negócios familiares e professor na Universidade Bocconi, segundo o qual trata-se de uma “mobilidade normal do capitalismo em sistemas avançados”.

A Fashion Network Corbetta cita o caso de Ermenegildo Zegna, que adquiriu a marca estadunidense Thom Browne. As dinâmicas de mercado afetam, portanto, principalmente as marcas de uma família que não tem mais os investimentos necessários para competir com grandes grupos de luxo (Kering, LVMH ou Richemont) ou aglomerações como o Tapestry (que comprou Stuart Weizman e Kate Spade) e o Kors que, depois de Jimmy Choo, já comprou efetivamente a Versace.

E o futuro?
Elevar a receita da Versace para US$ 2 bilhões (em comparação aos atuais € 850 milhões), concentrando-se em acessórios e calçados que deverão gerar 60% do atual faturamento de 35%. Esse é o principal objetivo dos planos de desenvolvimento da Versace divulgados aos investidores pelo seu novo proprietário, Capri Holdings, também conhecido como Michael Kors.

Planos que, segundo a edição britânica da Fashion United, incluem o aumento do varejo (as lojas vão passar de 200 para 300), a aceleração do desenvolvimento do e-commerce e omnichannel e a melhora do marketing da Versace. Tudo isso para levar a marca a desafiar as mais importantes concorrentes europeias como Louis Vuitton e Gucci.

Donatella Versace continuará a ser a líder criativa da marca, além de se tornar uma acionista. A chegada da Versace levará o grupo Capri Holdings a faturar aproximadamente US$ 8 bilhões a longo prazo e “dará a possibilidade de criar sinergias operacionais de longo prazo que podem reduzir custos”.

Jimmy Choo, outra marca no portfólio da ex-Michael Kors Holdings, tem o objetivo de faturamento de US$ 1 bilhão, que será alcançado com o desenvolvimento do varejo, acelerando o crescimento do calçado e expandindo os acessórios para 50% do faturamento. No entanto, esses planos não convenceram completamente os investidores, já que a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou a perspectiva “positiva” do grupo americano para “estável”, confirmando a avaliação BBB-.

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