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16/08/2016

Ministro da Saúde, Ricardo Barros, apresenta metas de seu governo para empresário em Almoço-Debate do LIDE

Na última semana, o Almoço-Debate realizado pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais – teve como convidado o Ministro da Saúde, Ricardo Barros, que ressaltou em seu discurso que é possível fazer mais com menos e que não apoia a volta da CPMF para a saúde. “Não acredito que criar uma receita vinculada à saúde ampliará os recursos para a área. Não vamos pedir mais recursos, acreditamos que, com uma boa gestão, vamos fazer muito mais com os mesmos recursos”.

O ministro apresentou aos mais de 400 empresários e imprensa presentes ao evento as 11 metas de seu governo, entre elas: o esforço em combater o mosquito da dengue; fortalecer a participação de médicos brasileiros no Programa Mais Médico; fortalecer o complexo industrial da saúde; superar as barreira para que as UBAS que já estão prontas comecem a atender; conceder a empresas especializadas a logística de distribuição de medicamentos para todo o SUS; adequar soluções específicas junto aos fornecedores em cada região atendida pela rede pública e adotar métricas para avaliar a qualidade e eficiência do trabalho do servidor público; interligar via informatização todas as esferas de gestão do SUS (federal, estadual e municipal); modernizar a atual forma protocolar de atendimento; e oferecer qualificação permanente aos profissionais da saúde.

Questionado se defende a privatização do Sistema Único de Saúde (SUS), Barros disse que a saúde é direito do cidadão, garantida pela Constituição Federal, e não acredita que isso será mudado.

Judicialização
Os prejuízos decorrentes de ações judiciais contra o SUS chegaram a R$ 5 bilhões no ano passado e, neste ano, devem atingir R$ 7 bilhões, segundo o ministro. “A judicialização desestrutura a saúde pública brasileira e torna o Estado brasileiro inadministrável”, destacou Barros.

Sobre as Parcerias Público-Privadas (PPPs) na área farmacêutica, o ministro disse que pretende especializar as plataformas dos laboratórios, a fim de que todos tenham escala e capacidade de absorver tecnologias, dando preferência para os mais inovadores, e não só fabricar para o público interno, mas também exportar medicamentos feitos no Brasil para outros países. “Também vamos ampliar a capacidade de fabricação de equipamentos médico-hospitalares, levando-os às regiões que mais necessitam desses aparelhos”, afirmou Barros.

Planos de Saúde Populares
Esse foi outro ponto questionado durante o almoço-debate. Empresários perguntaram ao ministro sobre a proposta, por ele defendida, de criação de planos de saúde mais baratos, mas com menos serviços de atendimento obrigatórios. Segundo Barros, o acesso a convênios médicos mais baratos pode ajudar a ampliar o número de beneficiários de saúde suplementar, reduzir a demanda do SUS e, consequentemente, dar maior folga de recursos para financiar o atendimento na rede pública. A proposta, porém, já enfrenta resistência antes mesmo de sair do papel, principalmente por parte de sanitaristas defensores do sistema público e de entidades de defesa dos direitos do consumidor. Já as operadoras de saúde defendem a iniciativa, pois dizem que o modelo atual se tornou caro e, neste momento de crise, o número de beneficiários têm diminuído, ameaçando a sustentabilidade do sistema privado.

Barros também se mostrou favorável ao atendimento de beneficiários de planos de saúde por hospitais públicos, mediante pagamento pelas operadoras de saúde a que estão ligados aos convênios médicos, medida que é criticada por especialistas em saúde por criar o que se chama de “porta dupla”, dando suposta preferência ao atendimento de clientes de saúde suplementar em detrimento aos usuários do SUS. Para Barros, ao contrário, este acesso é benéfico para o SUS, pois faria com que o dinheiro do ressarcimento feito a posteriori pelas operadoras à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e repassado pelo órgão regulador ao governo, já entrasse diretamente no caixa do SUS, sem intermediação da agência.

Obesidade infantil
Para o ministro, o Brasil precisa agir rapidamente contra a obesidade, em especial a infantil. “Pela primeira vez, estamos reduzindo as expectativas e qualidade de vida das pessoas devido ao sedentarismo e má alimentação. Crianças obesas terão sua saúde afetada no futuro. Por isso, é importante que elas tenham uma alimentação saudável”, enfatizou Barros, citando programas governamentais que promovem a saúde e prevenção de doenças e iniciativas que retiram o excesso de sódio e reduzem o açúcar. Ele ainda destacou a necessidade de extensão do prontuário eletrônico único a todas as cidades brasileiras – hoje, dos 5.570 municípios, somente 832 já aderiram ao prontuário informatizado.

Crédito fotos: Fredy Uehara/Uehara Fotografia

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