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11/09/2018

Na Bélgica, atrevimento virou profecia!

Bruxelas, ano de 1973. O então ministro da Indústria e Comércio do governo Emílio Garrastazu Médici, o gaúcho Marcus Vinícius Pratini de Moraes, surpreendeu europeus e também brasileiros presentes na abertura da Brazil Export, exposição-feira criada para promover no exterior os produtos Made In Brazil! Surpreendeu por fazer todo seu discurso em francês e também por sua condição de graduada autoridade da ditadura Militar, embora com apenas 36 anos. Entre mais de uma centena de empresários exportadores do Brasil, dezenas de gaúchos formavam a maior representação, sobremodo na área do couro e dos calçados.

Durante o voo entre Porto Alegre e Bruxelas, conheci outro jovem, aparentando 25 ou 26 anos, que igualmente marcaria a sua presença naquela feira na capital belga, por causa do tamanho do seu entusiasmo ao propagar durante toda a feira, incessantemente, junto ao ministro, a empresários brasileiros e à imprensa, a sua boa nova: estava estruturada a empresa Couromoda, a marca de uma proposta que prometia revolucionar – e foi o que aconteceu - a histórica maneira de se fazer feira do setor coureiro-calçadista no Brasil. Francisco Santos, o nome do inquieto, abnegado e atrevido empreendedor, embora garotão, que deixou sua pequena empresa de propaganda, no começo dos anos 1970, idealizou e montou a Couromoda.

Gostei desta marca ao escutá-la pela primeira vez. Gostei mais ainda do principal argumento de Santos, nas entrevistas ou rodas de conversas nos estandes e corredores da Brazil Export. Santos profetizava que era preciso levar, sem mais perda de tempo, ao encontro dos principais mercados consumidores os calçados, couros e acessórios produzidos por todo o país, expondo os produtos e vendendo aos lojistas brasileiros, em vez de ficar apenas esperando que eles, compradores, motivassem-se a visitar e fazer compras nas então tradicionais Fenac (Novo Hamburgo/RS) e Francal (Franca/SP).

Evolução constante
Primeiro no Rio de Janeiro, e marcando época no inesquecível Hotel Nacional, depois em São Paulo, no Anhembi e atualmente no Expo Center Norte. A Couromoda cresceu, como previa seu fundador Francisco Santos, até ser reconhecida como a maior feira calçadista da América Latina e sob a certeza de sua vitoriosa performance em fazer feira, gerou outras, em áreas distintas como saúde, moda e beleza. Francisco, por sua vez, tem reconhecimento mundial no setor de feiras, como expert em aproximar compradores de vendedores e agora anuncia, com vigor semelhante ao que eu testemunhei em Bruxelas, há quase 45 anos, inovações que garantem para a Couromoda estar em dia com o futuro.

O Grupo Editorial Sinos, em Bruxelas, estava representado por seu fundador, Mário Gusmão, pela jornalista Adelina Capel, editora do jornal Brazil Export (publicação do GES em inglês e português, especializada no tema exportações brasileiras) e pelo gerente Flávio Diefenthäeler. E mais eu, com apenas 23 anos: repórter, fotógrafo e vendedor de anúncios.


Aurélio Decker
Jornalista