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13/10/2016

O futuro do calçado começa agora

HEITOR KLEIN
Presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados - ABICALÇADOS


A indústria de calçados no Brasil carrega o sobrenome Revolução. Ainda no século XIX, quando surgiram as primeiras fábricas do setor, no Sul do Brasil, a indústria foi fundamental para a proteção dos pés dos soldados que lutavam na Guerra do Paraguai. Porém, naquela época, a produção ainda era muito artesanal. Ganhou especial impulso a partir da Segunda Guerra Mundial, quando passaram a ser fabricados coturnos mais sofisticados, também por motivos militares. A partir daí, a indústria evoluiu rapidamente, agregando o conceito estético e de diversificação de segmentos para o setor. Precisamente em 1968, outra revolução. Naquele ano foram exportados os primeiros pares de calçados para os Estados Unidos, país que é o nosso principal mercado até hoje.

O tempo passou e a indústria evoluiu rapidamente. Apesar de ser um setor tradicional, intensivo em mão de obra, passou a agregar, paulatinamente, novas tecnologias através de maquinários importados de países europeus. Em 1983, com o objetivo de unir forças do setor, surge a Adical, associação de calçadistas do Rio Grande do Sul, que sete anos depois se tornaria uma entidade nacional: a Abicalçados. Nossos desafios foram muitos. Atravessamos crises domésticas e turbulências internacionais, investimos na promoção do nosso calçado além-fronteiras e, com o apoio fundamental da Apex-Brasil, chegamos a mais de 150 destinos em todo o planeta, tornando o nosso produto objeto de desejo internacional.

Concorrência desleal e retomada
Depois de registrar franco crescimento até metade da primeira década do século XXI, tanto no ambiente doméstico como além-fronteiras, eis que a competitividade da indústria de calçados brasileira, que antes navegava em águas tranquilas, começou a ser prejudicada pela concorrência desleal de produtos asiáticos e também de outros segmentos econômicos. Aliando o movimento com uma das cargas tributárias mais altas entre os países emergentes, uma infraestrutura cara e ineficiente para a distribuição tanto aqui como no exterior, e uma burocracia de dar inveja aos romances de Franz Kafka, a indústria perdeu força econômica.

Neste contexto, de quedas de indicadores provocados por uma crescente perda de competitividade, outro desafio foi colocado. Não podíamos mais esperar pela iniciativa do Poder Público. Era preciso mais, era preciso mudar, começar a fazer a lição do portão para dentro da fábrica. E foi com esse intuito que passamos os últimos tempos discutindo a formatação de um programa que revolucionasse a cadeia coureiro-calçadista, trazendo o conceito da Indústria 4.0 para o setor através da criação de novos modelos de negócios, tecnologia avançada, processos produtivos inovadores e design aplicado a novos produtos. Após discussões entre entidades da cadeia e potenciais apoiadores do projeto, nasceu o Programa Future Footwear, que lançado no dia 24 de agosto, na fábrica do Grupo Priority, em Ivoti/RS, pretende ser o estopim para uma nova revolução. O futuro do calçado começa agora.