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10/04/2019

O setor calçadista em 2019

A situação do setor calçadista é bastante preocupante: perdemos muitos empregos ao longo dos últimos 5 anos, houve queda nas exportações e nas vendas internas reduzindo não só o emprego como também o faturamento das empresas, que tiveram de mudar suas estratégias de negócio para diversificar produtos e clientes. E isto não é exclusividade de Franca: todo o país se encontra na mesma situação. Tudo isso é reflexo da gestão econômica e política do país ao longo dos últimos 30 anos, sem planejamento a longo prazo e nem planos com sustentabilidade, como redução temporária de impostos ou isenções de produtos de consumo para aquecer “superficialmente” a economia.

Dito isso, o atual Governo Federal tem um desafio imenso pela frente, a começar pelas Reformas da Previdência e a famigerada Reforma Tributária. Já tivemos algum avanço nas relações de trabalho com a Reforma Trabalhista, mas a recuperação será gradual, tudo depende da capacidade do Governo de articular reformas e trazer de volta a confiança dos investidores e cortar o mal da corrupção de vez, que mancha a nossa reputação mundo afora. Não podemos mais nos contentar em ser o país do futuro, precisamos urgentemente ser o país do agora!

Tenho a esperança de que o primeiro semestre de 2019 defina o ritmo deste Governo e que isso de certa forma traga otimismo ao mercado e ao consumidor. Acredito que o Ministério da Economia faça os cortes e arranjos necessários para enxugar a máquina e tornar o Estado mais eficiente. O Congresso Nacional e o Poder Judiciário precisam corrigir a rota, assumir os papéis que lhes foram designados e trabalharem para o crescimento do país e não o contrário. Isso será essencial para a recuperação sustentável para os próximos anos.

Franca, em 2018 deixou de produzir 12,7 milhões de pares de calçados e perdemos quase 10 mil postos de trabalho em comparação à 2013. Não acredito que recuperemos todas estas perdas em 2019. Mas com o novo governo e em especial a nova equipe econômica e as reformas que deverão ocorrer no primeiros semestre, acredito que devemos manter o otimismo e trabalhar bastante. Porém, a recuperação de fato, não vai depender só do Governo Federal, mas da sensibilidade do povo brasileiro, que deve apoiar as reformas e trabalhar para o bem da nação brasileira. Juntos e unidos, sem desavenças partidárias, sem discursos ideológicos vazios. Esse é um esforço que todos nós devemos fazer.

José Carlos Brigagão do Couto
Presidente do Sindicado das Indústrias de Calçados de Franca (Sindifranca)