Notícias

Tel.:(11) 3897-6100

pt
en
es

COUROMODA 2024

Todos os serviços para sua participação na Couromoda.

VIAGEM E HOSPEDAGEM

Oportunidade de atualização com os principais temas do mercado.

CREDENCIAMENTO EMPRESARIAL

Garanta sua credencial para a mais importante feira de calçados da América Latina.

SÃO PAULO PRÊT-À-PORTER

Feira Internacional de Negócios para Indústria de Moda, Confecções e Acessórios.

Notícias da Couromoda

Calçado no Mundo

Notícias do Setor

Colunista

Lançamentos e Moda

Mídia

Facebook
Twitter
Pinterest
[wpavefrsz-resizer]

O cenário mundial do calçado e as oportunidades para o Brasil

Os números da indústria calçadista mundial, em 2014, apontam para a reacomodação de diversas forças internacionais do segmento. Num momento de retomada, ainda que tímida, de grandes economias – como Estados Unidos, Europa e Japão –  e de sérias dúvidas sobre os desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia, tradicionais produtores de calçados e novos players tentam se reposicionar e a aproveitar eventuais oportunidades. É o caso do Brasil, por exemplo, que, com o novo câmbio, pode incrementar seus negócios com o mercado externo. Grandes consumidores mundiais aumentam seu apetite por calçados, em especial de médio valor agregado, casos de Alemanha e Itália. Ao mesmo tempo, as exportações destes dois países cresceu no segmento de produtos de maior valor agregado, muito embora o primeiro não seja um grande produtor.

E quem pode se beneficiar deste cenário? Além da China? Portugal tem feito o tema de casa e ampliado sua participação no mercado internacional, assim como o Vietnã, que não para de aumentar sua participação internacional e também sua  já enorme produção. Já o Paquistão surge como um país de grande potencial, com destaque para os artigos de couro. A China segue imbatível em termos de números, mas já apresenta sinais de desaceleração de sua incrível indústria. E o Brasil se manteve competitivo e atuante nos últimos anos, apesar de todas as dificuldades. Talvez seja este o momento de começar a colher os frutos deste trabalho continuado e qualificado. Vamos a alguns números do segmento em nível mundial e a análise do que eles podem representar.


Itália
Conforme dados da Assocalzaturifici, associação italiana de calçados, a produção local em 2014 teve uma leve redução, fechando o ano em 197 milhões de pares, 2,5% a menos que no ano anterior. A produção volta ao preocupante patamar de 2009, quando foram fabricados 198 milhões de pares. Nos anos seguintes, houve uma lenta – porém constante – recuperação, que foi interrompida em 2014.  Contudo, o valor da produção cresceu 0,3%, totalizando 7,5 bilhões de euros. 

No mercado interno, o consumo das famílias foi contraído. Houve redução da quantidade comprada de calçados (-2,9%) e do valor gasto com este artigo (-7,2%). O preço médio ficou 4,4% mais baixo em 2014, no comparativo com o ano anterior, em que a Itália já amargara queda de 6% no volume consumido e de 5,8% no valor utilizado em relação a 2012. No ano passado, a importação na Itália cresceu 8,4% em volume e 7,4% em valores, com preço médio 1% menor. Ou seja, os italianos estão comprando mais calçados de menor valor, o que abre uma oportunidade ao produto verde-amarelo.

O ano só não foi pior para os italianos porque as exportações de calçados cresceram 3%, gerando receita de 8,3 bilhões de euros. Em termos de volume, o incremento foi de 1,4%, totalizando 216,7 milhões de pares. Os embarques cresceram significativamente para a América do Norte (2,8% em volume e 9,3% em valores) e Oriente Médio (8,2% em volume e 14,2% em valores). Outros destaques foram China, crescimento de 12% em valor; Hong Kong, crescimento de 24% em valor; e Coréia do Sul, crescimento de 23% em valor.


Alemanha
A Alemanha, por sua vez, uma das maiores economias do mundo, ampliou em 11,5% o volume de calçados comprados do exterior. Em termos de valores, as importações cresceram ainda mais,12,8%. O maior fornecedor para os alemães continua sendo a China, responsável pelo envio de 303,5 milhões de pares, num valor de 1,96 bilhão de euros. O Vietnã aparece na segunda colocação, com o embarque de 79,2 milhões de pares. 

Ao mesmo tempo, a Alemanha incrementou sua exportação de sapatos. Em 2014, foram vendidos ao exterior 229 milhões de pares, 44 milhões a mais que em 2013, um salto da ordem de 23,9%. O valor das exportações pulou 17,2%, chegando a 3,87 bilhões de euros. 

Cabe ressaltar que a Alemanha não é uma grande produtora de calçados. Os dados mais recentes são do World Shoe Review (WSR 2014), referentes a 2013, e mostram que saíram das esteiras das fábricas alemãs somente 28 milhões de pares, produção que faz com que o país sequer apareça na lista dos 13 maiores produtores do mundo, elaborada pela WSR 2014. Ou seja, a Alemanha exporta com marca própria artigos fabricados fora de suas fronteiras.

Atualmente, a Alemanha é o quarto maior importador de calçados do mundo, respondendo por 5% do total mundial. Ao mesmo tempo, o país é o sexto maior exportador e nono maior consumidor do planeta. Em 2013, ainda segundo a WSR 2014, os alemães consumiram 413 milhões de pares de calçados. Como exporta artigos de maior valor agregado e compra os de preço médio, a nação se mostra outra boa oportunidade aos brasileiros.


Vietnã
Levantamento dos 11 primeiros meses de 2014 apontam que as exportações do Vietnã cresceram 23,6%, totalizando 9,25 bilhões de dólares. Deste total, 32,1%, equivalentes a 2,91 bilhões de dólares, tiveram os Estados Unidos como destino. O segundo maior comprador de calçados vietnamitas é a Bélgica, que gastou 603 milhões de dólares com estes produtos, um incremento de 32,3%.

Depois, aparece a Alemanha, que adquiriu calçados do Vietnã no valor de 524,1 milhões de dólares. Dos 44 países para os quais o Vietnã vende calçados, somente 7 diminuíram as compras.  Os países que registraram mais significativos aumentos das compras são Japão (34,6%), China (43,7%), Emirados Árabes Unidos (51,6%) e Polônia (70,7%).

O Vietnã, em 2013, situava-se como o quarto maior produtor de calçados do mundo, com 779 milhões de pares fabricados, ficando atrás somente de China, Índia e Brasil. Já em termos de exportação, no mesmo período, ocupa a segunda colocação no ranking mundial, sendo superado somente pela China. O Vietnã havia exportado em 2013 mais de 490 milhões de pares de calçados.


Portugal
A indústria calçadista de Portugal tem se destacado nos últimos anos no cenário internacional. Em 2014, por exemplo, as exportações aumentaram 8%, chegando a 869,8 milhões de euros. Os embarques cresceram 7% para a União Europeia e 12% para fora desta zona. Os principais mercados do calçado português são, nesta ordem, França, Alemanha, Holanda, Espanha e Reino Unido. Os maiores crescimentos registrados no envio de calçados foram os da Colômbia (234%), Estados Unidos (62%), Hong Kong (42%), Austrália (35%) e China (15%). De 2005 a 2014, as exportações portuguesas cresceram a impressionante marca de 54%.


Paquistão
Com foco em calçados feitos principalmente em couro, o Paquistão é outra nação que vem se destacando no cenário internacional. As vendas externas no segmento cresceram 21,1% entre julho e novembro de 2014, no comparativo com igual período do ano anterior. As vendas ainda não são expressivas, apenas 51,8 milhões de dólares, receita obtida com a venda de 5,6 mil pares. Deste montante, 86,9% têm no couro sua principal matéria-prima.


China
Mesmo diminuindo o ritmo de crescimento da produção e exportação, a China segue imbatível em termos de números. Conforme o WSR 2014, a China seguia como maior produtora de calçados do mundo (11,35 bilhões de pares), maior exportadora do produto (8,66 bilhões de pares) e maior consumidora do artigo (2,8 bilhões de pares).


Brasil
O setor calçadista brasileiro também fechou seus números externos de 2014. No ano passado, foram enviados ao exterior 129 milhões de pares por US$ 1,06 bilhão. No ano anterior, os números foram: 123 milhões de pares e receita de US$ 1,09 bilhão. Ou seja, exportou-se volume maior com preço médio maior. 

O sapato brasileiro foi vendido em 150 países e os principais destinos em 2014 foram Estados Unidos, Argentina e França. O Brasil exportou para os norte-americanos, no ano passado, 11,85 milhões de pares, gerando receita de US$ 193,67 milhões, um incremento de 10,9% em pares e de 2,2% em valores. Já para a França foram enviados 8,9 milhões de pares, por US$ 70 milhões, aumento de 12,2% em pares e de 0,5% em valores.

Os destaques positivos do ano foram: Colômbia (6º maior comprador, com US$ 48,7 milhões e aumento de 23,7% frente a 2013); Arábia Saudita (12º maior comprador, com US$ 22 milhões e incremento de 42,2%); e Emirados Árabes Unidos (13º maior comprador, com US$ 20 milhões e incremento de 20%). O pior desempenho foi da Argentina, que, apesar de ainda figurar na segunda colocação entre destinos, minguou as importações de produtos brasileiros em 31,4%, alcançando US$ 81,68 milhões. 

O Brasil comprou do exterior 39 milhões de pares de calçados por US$ 572,37 milhões, em 2013. No ano passado, foram importados 36,8 milhões de pares por US$ 561,28 milhões em 2014, o que configura diminuição em volume e em valores. As principais origens em 2014 foram Vietnã, Indonésia e China. O destaque fica por conta do Vietnã, que vendeu 8,2% mais do que em 2013, chegando a US$ 323,47 milhões, sendo este país agora responsável por mais de 57% do total importado pelo Brasil. A Itália aumentou suas vendas para o Brasil em 11%, chegando a US$ 21,58 milhões (4º lugar) e a Argentina aumentou suas vendas em 34,5%, totalizando US$ 12,56 milhões (5º lugar). 

Em 2014, a indústria calçadista gerava 309 mil empregos. Os números de empresas (8,2 mil) e de produção (900 milhões de pares) mais recentes são os de 2013.


Mundo
Segundo dados apresentados no Congresso Mundial do Calçado – evento realizado em novembro passado, no México, e que teve a Couromoda como um dos patrocinadores Master -, em 1985 eram consumidos 8,83 bilhões de pares. Em 2013, o número quase triplicou e chegou a 22,41 bilhões de pares, um incremento de 163% no consumo. No mesmo período, por exemplo, a população mundial passou de 5 bilhões para 7 bilhões de pessoas, alta de 40%. E esta tendência deve se manter por ainda muitos anos. 

Todo este contexto aponta para novas e boas oportunidades aos calçados verde-amarelos neste e nos próximos anos. Para isso, contudo, é necessário não descuidar nem por um segundo de atributos alcançados a muito custo, como qualidade – da matéria-prima ao acabamento -, design e marketing. Tradição e história o Brasil já tem no segmento, basta agora colocar todos os ensinamentos em prática e conquistar uma fatia cada vez maior deste mercado mundial, que consome cada vez mais calçados. 


 


Por: Mauro Moraes | GBM Comunicação

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAIS NOVIDADES