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Varejo: tempo de liquidações

Mesmo com a oscilação da temperatura nas últimas semanas e o endividamento do consumidor, os lojistas das regiões Sul e Sudeste mantiveram os preços dos produtos e, agora, realizam a liquidação de inverno.

A liquidação no tempo certo, como eles a definem, visa reduzir o estoque – sobretudo de botas – e as perdas acumuladas. As duas regiões vêm alternando dias frios e de ligeiro aquecimento, o que faz com que as vendas das lojas tenham altos e baixos em um período que tradicionalmente é um dos melhores do ano em faturamento.

Os caminhos da liquidação

Em Jundiaí/SP, a Passarela Calçados realiza até 15 de agosto a LiquiAgosto, com descontos que vão de 20 a 40%, que podem ser ainda maiores, dependendo do produto. A resposta dos clientes está sendo positiva, mas o diretor Benedito Vanoil da Rocha reclama da ‘obrigação’ de antecipar o início, de 1º de agosto para 25 de julho, para acompanhar as outras lojas.

“Mal o frio chegou e já estávamos liquidando. Deveríamos respeitar a estação e aproveitar para vender como em outros anos, quando tínhamos lucro. Com a liquidação ocorrendo cada vez mais cedo, a rentabilidade vai para o espaço”, afirma. Para o lojista, a antecipação faz com que produtos tenham que ser vendidos com descontos cada vez maiores e alguns até pelo preço de custo; o que significa prejuízos ao varejo.

Para o próximo ano, o diretor da rede paulista já decidiu: vai realizar duas liquidações nas datas tradicionais: de 1º a 20 de março e de 1º a 20 de agosto. “Mas a solução do problema precisa ser buscada em conjunto por fabricantes e lojistas”, enfatiza Vanoil. Segundo ele, o varejo entende a falta de pedidos da indústria, mas acentua que cada um deve fazer a sua parte para que as liquidações voltem ao período certo. “Somente assim a rentabilidade de todos vai melhorar”, prevê.

“Estamos com as vitrines cheias de botas, mas, com o calor que tem feito na cidade, a maior procura tem sido por sandálias”, enfatiza Luiza Emiko Suguiama, da Luiza Calçados, com duas lojas em Cornélio Procópio/PR. Ainda assim, ela não pensou em ‘queimar as botas’, ao contrário do que alguns concorrentes da cidade já fizeram. A expectativa de Luiza é de temperatura baixa nas próximas semanas, o que motivará as consumidoras a comprarem os modelos à venda. “À medida que o frio continuar por alguns dias seguidos, as pessoas sentirão a necessidade de adquirir botas e sapatos e as vendas voltarão a crescer”, explica, citando a experiência de anos anteriores.

Associação confirma o poder da liquidação no tempo certo

Na opinião do vice-presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), Antoniel Marrachine Lordelo, o clima de inverno tem feito crescer as vendas no Sul e no Sudeste, apesar de estar abaixo do esperado para a estação. Isso confirma o acerto dos lojistas que mantiveram os preços e optaram por liquidar a coleção de inverno em agosto, como manda o calendário tradicional do varejo. “Quem liquidou antecipadamente perdeu rentabilidade, o que compromete o caixa para novas compras”, enfatiza Lordelo.

O também diretor da Azul Calçados, de Itu/SP, diz que os lojistas não devem se precipitar, ”pois ainda teremos frio”. Tampouco devem aceitar a pressão dos fabricantes, descontos e prazos mais longos de pagamento para novos pedidos. Ao contrário, sugere, o varejo deve apostar na força comercial do inverno e esperar o momento certo de liquidar. Assim, ressalta, busca o mark-up ideal e garante a saúde financeira, fatores que são essenciais ao negócio.

O diretor da Radan Calçados, de São Leopoldo/RS, Raul Viega da Rocha, afirma que a liquidação das dez lojas da rede terá início somente após o Dia dos Pais, ainda que alguns produtos já estejam em promoção. Até lá, serão mantidos os preços e as estratégias que vêm permitindo à empresa ter um desempenho positivo este ano, como os prazos de pagamento mais longos e a ênfase às vendas através de cartão de crédito, esta também utilizada para combater a inadimplência, em crescimento.

Evite prejuízos

Para o lojista gaúcho, a antecipação das liquidações este ano causou grandes prejuízos ao varejo de calçados. Muitas lojas reduziram os preços da coleção de inverno ainda em junho para receber os novos modelos lançados pelas indústrias em julho. Contudo, os resultados não foram os esperados tendo em vista o endividamento do consumidor com financiamento de automóveis, produtos de linha branca e da casa própria. Para a maioria das lojas, restou, então, um excesso de botas, que dificilmente poderá ser comercializado nas próximas semanas, mesmo com preços reduzidos.

O diretor da Radan Calçados também diz que a origem está na antecipação das coleções por parte das indústrias e nos descontos para pedidos novos. A diminuição do tempo entre os lançamentos altera o ciclo de vendas das lojas (que segue o clima e a disposição de compra dos clientes), forçando a liquidação dos produtos antes do prazo previsto, o que gera perda de rentabilidade e dificuldades extras de gestão.

Por isso, conforme o diretor da Radan Calçados, Raul Viega da Rocha, a opção do varejo para evitar que o quadro se repita no verão é comprar mais tarde. “Em vez de fazermos pedidos para entregas em agosto e setembro e começarmos as vendas em outubro, devemos esperar. Quando as fábricas estiverem com um volume menor de pedidos em carteira, oferecerão preços menores do que os praticados no início da temporada”, recomenda. E destaca: não somos contra ninguém, apenas é necessário manter o sistema habitual de funcionamento do varejo, com prazos consolidados de vendas e liquidações no período que o consumidor está habituado.

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